"Lá vou eu escrever como se a vida fosse entender os meus recados." — Camila Costa.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Caio Fernando Abreu
"Eu gostaria de ir embora para uma cidade qualquer, bem longe daqui, onde ninguém me conhecesse, onde não me tratassem com consideração apenas por eu ser “o filho de fulano” ou “o neto de beltrano”. Onde eu pudesse experimentar por mim mesmo as minhas asas para descobrir, enfim, se elas são realmente fortes como imagino. E se não forem, mesmo que quebrassem ao primeiro vôo, mesmo que após um certo tempo eu voltasse derrotado, ferido, humilhado - mesmo assim restaria o consolo de ter descoberto que valho o que sou."
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
domingo, 23 de janeiro de 2011
"Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico."
Mentir pode ser um ato de generosidade. A mentira nem sempre causa danos, às vezes ela apenas protege contra mágoas desnecessárias.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.
Amor permanente... como a gente se agarra nesta ilusão. Pois se nem o amor pela gente mesmo resiste tanto tempo sem umas reavaliações. Por isso nos transformamos, temos sede de aprender, de nos melhorar, de deixar pra trás nossos imensuráveis erros, tudo o que fizemos achando que era certo e hoje condenamos.
Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. A dor não vai passar, não agora! É isso que ninguém tem coragem de nos dizer. A dor da perda, a dor de fracassar, a dor de não corresponder a uma expectativa, a dor de uma saudade, a dor de não saber como agir, de estar perdida, instável, de ter dúvidas na hora de fazer uma escolha, todas estas dores, que parecem pequenas para quem está de fora, nos acompanharão.
Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeças da nossa vida. Todas são aproveitáveis.
Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um suvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo.
Então foi preciso aprender, hoje faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço meus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós. É assim que aproveito a vida, me permitindo as emoções maiores, as mais intensas, as que duram pra sempre.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.
Amor permanente... como a gente se agarra nesta ilusão. Pois se nem o amor pela gente mesmo resiste tanto tempo sem umas reavaliações. Por isso nos transformamos, temos sede de aprender, de nos melhorar, de deixar pra trás nossos imensuráveis erros, tudo o que fizemos achando que era certo e hoje condenamos.
Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. A dor não vai passar, não agora! É isso que ninguém tem coragem de nos dizer. A dor da perda, a dor de fracassar, a dor de não corresponder a uma expectativa, a dor de uma saudade, a dor de não saber como agir, de estar perdida, instável, de ter dúvidas na hora de fazer uma escolha, todas estas dores, que parecem pequenas para quem está de fora, nos acompanharão.
Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeças da nossa vida. Todas são aproveitáveis.
Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um suvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo.
Então foi preciso aprender, hoje faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço meus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós. É assim que aproveito a vida, me permitindo as emoções maiores, as mais intensas, as que duram pra sempre.
Desconhecido por mim o autor .
Coração de pedra.
Essa vida viu Zé, pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Aquário com ascendente em Leão
Ela avoada, ele ligeiro, ela altruísta, ele só ele, afinal um rei é sempre rei. Ela salto alto, belíssima, cabelos compridos, morena com a pele bem branca, jeans colado, blusa verde, é verde mesmo, afinal tudo o que ela quer é paz e verde é a esperança para isso, mas sempre com o pensamento no futuro, por isso ela de quando em vez torce o pé, "trupica" como diz sua avó...
Ele belíssimo, melhor roupa, sem gastar muito, melhor perfume, um fogo, destrói o ar, altivez, fala de si como se fosse único, ha! ele é único, afinal é o rei. Ela tudo pode, respeitando os limites e entendendo a liberdade com r-e-s-p-o-n-s-a-b-i-l-i-d-a-d-e, não libertinagem... Ele tudo pode, tudo quer, tudo tem, tudo é ciúme, afinal ele é rei, ela tem que ser dele, ele é dela, afinal um Leão vira um fiel felino, doce e sensual para a sua dona, é... ele a faz sentir assim, ela finge que acredita que ele é dela, afinal aquarianos são de todos e todos são dos aquarianos, mas ela fica mais atrapalhada quando ele chega perto dela, ela esquece os idiomas e os vocabulários e fica pagando mico na frente dele, ele adora, ela não é o bobo da corte dele, mas ele adora rir dela.
Ele canta e encanta a sua 'anos-luz' à frente e vê que o ar é mais forte e livre que o fogo, mas ele tem alguma coisa, um 'q' a mais que a faz perder o ar, gente ela se perde... afinal fica sem casa, ele toma o ar dela...
Ele um eterno apaixonado, ela uma eterna aventureira, às vezes fica até com vergonha de querer sair às cinco horas da manhã para tomar um café, ele ama café, ela também... os dois de preferência sem açúçar, ele qualquer hora do dia, ela de preferência pela manhã!
Ela pensa em ovnis, galáxias e futuro, ele conversa sobre todos os assuntos imagináveis e inimgináveis, a diferença de uma lhama para um gnu.
São dois num só!
Ele belíssimo, melhor roupa, sem gastar muito, melhor perfume, um fogo, destrói o ar, altivez, fala de si como se fosse único, ha! ele é único, afinal é o rei. Ela tudo pode, respeitando os limites e entendendo a liberdade com r-e-s-p-o-n-s-a-b-i-l-i-d-a-d-e, não libertinagem... Ele tudo pode, tudo quer, tudo tem, tudo é ciúme, afinal ele é rei, ela tem que ser dele, ele é dela, afinal um Leão vira um fiel felino, doce e sensual para a sua dona, é... ele a faz sentir assim, ela finge que acredita que ele é dela, afinal aquarianos são de todos e todos são dos aquarianos, mas ela fica mais atrapalhada quando ele chega perto dela, ela esquece os idiomas e os vocabulários e fica pagando mico na frente dele, ele adora, ela não é o bobo da corte dele, mas ele adora rir dela.
Ele canta e encanta a sua 'anos-luz' à frente e vê que o ar é mais forte e livre que o fogo, mas ele tem alguma coisa, um 'q' a mais que a faz perder o ar, gente ela se perde... afinal fica sem casa, ele toma o ar dela...
Ele um eterno apaixonado, ela uma eterna aventureira, às vezes fica até com vergonha de querer sair às cinco horas da manhã para tomar um café, ele ama café, ela também... os dois de preferência sem açúçar, ele qualquer hora do dia, ela de preferência pela manhã!
Ela pensa em ovnis, galáxias e futuro, ele conversa sobre todos os assuntos imagináveis e inimgináveis, a diferença de uma lhama para um gnu.
São dois num só!
(Retirado do blog da Bruna)
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
Vinícius de Moraes
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